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Pode a gestão irlandesa competir ?*
("Can Irish management compete?")

Conclusões principais

Os gestores irlandeses:
•  São informais e amigáveis
•  Têm muito forte sentido de equipa
•  São bons comerciais
•  São flexiveis e adaptáveis
•  Não planeam muito bem
•  Tem foco fraco nas necessidades do cliente
•  Não falam línguas estrangeiras
•  São complacentes perante os sucessos do passado

O ambiente empresarial:

•  É muito dinámico
•  Burocracia não é um problema importante

 

Pode a gestão portuguesa competir ?*

Conclusões principais

Os gestores portugueses:
•  São autocráticos e formais
•  Trabalham mal em equipas
•  Não focam nas necessidades do cliente
•  Não planeam, nem têm estratégia
•  Falam línguas estrangeiras

O ambiente empresarial:
•  É pouco dinámico
•  Burocracia é um problema grave

 


Ad Capita resource centre

Article: "Could Portugal be the Iberian Tiger?"

Portugal pode ser o Tigre Ibérico?
por Clive Viegas Bennett, Partner, Ad Capita

Este artigo foi publicado no Semanário Económico no dia 16 de Abril de 2004

Acabamos de publicar em Portugal um estudo sobre a cultura de gestão irlandesa identico ao que publicamos sobre a portuguesa em 2002. Os resultados irlandeses são significativamente mais positivas do que os portugueses e, por conseguinte, preocupantes.

O célebre Tigre Celta está a andar bem, apesar das dificuldades da conjuntura económica mundial, e os seus gestores são bastante bons. A maior crítica apontada no estudo é que estão a ficar complacentes, e que esquecam que uma vantagem competitiva hoje pode ser vulgar amanhã. Tal como em Portugal, o estudo criou bastante interesse nos média, bem como o reconhecimento geral de que as conclusões positivas e negativas reflectiam a realidade.

Mas interessa-nos a comparação entre dois paises tão diferentes? Absolutamente que sim. Não só porque a Irlanda é um concorrente de Portugal mas porque os dois países têm muitos factores históricos, económícos e geopoliticos em comum. Temos que perceber porquê um país numa situação semelhante se tornou uma história de grande successo enquanto Portugal ainda não conseguiu convergir com os parceiros europeus, e muito menos ser mais competitivo.

Historicamente, Irlanda tem muito em comum com Portugal. Após independência dos Britânicos em 1924, caminhou para um período de forte proteccionismo durante mais de 40 anos. Era uma economia primordialmente agrícola, com uma pobreza profunda no campo. Um povo celta e não anglo-saxónico, orgulhoso do seu passado, encantador, acolhedor e pacífico, com uma pequena população, e muito emigração para fugir da miséria. Finalmente, era um pais cuja politica externa estava desfigurada pela sua periferia geográfica e pelo domínio de um poderoso vizinho.

A grande diferença ficou no acordar do sonho de isolamento. Nos meados dos anos setenta Portugal teve a sua revolução, libertando-se de meio século de ditadura, de um antiquado colonialismo e de um desenvolvimento interno artificialmente reprimido. Mas ao sair da confusão do período pós-revolução acabou por optar pela continuidade (com propaganda diferente), do pai estado e da cultura empresarial dirigida para resultados a curto prazo.

A Irlanda reagiu de outra maneira. Nos finais dos anos sessenta houve uma epifania. Os Irlandeses, e os seus governantes, perceberam que as coisas não podiam continuar assim proteccionismo tinha sido um desastre . Começou com uma grande e eficaz investimento na educação. Depois, correram agressivamente atrás do investimento estrangeiro e baixaram drasticamente as taxas de IRC. A liderança radical do governo foi apoiada por um novo dinamismo dos empresários, apoiado por trabalhadores formados e entusiasmados. A Irlanda não teve sorte para chegar onde chegou. A sua transformação de um pequeno país pobre, agrícola e isolado para uma das mais dinámicos e mais modernas economias do mundo, aconteceu por vontade dos governantes, dos empresários, dos gestores e dos trabalhadores em fim, do povo inteiro.

O que tem isto a ver com a questão da cultura de gestão portuguesa? É que o estilo de governância reflecte a cultura de gestão, porque governos são também gestores. A transformação irlandesa foi feita pelo conjunto de esforços de políticos, empresários e trabalhadores nem sempre um conjunto harmonioso, mas pelo menos a seguir o mesmo rumo para o futuro. Em Portugal cada grupo acaba só por defender o seu interesse particular de curto prazo: O que eu vou ganhar com isto agora?

Não é uma questão de incapacidade. Como recrutador de quadros, encontro gestores portugueses francamente brilhantes, que me espantam com a perspicácia e criatividade da sua visão estratégica. Trabalhadores portugueses são muito bem apreciados pela sua qualidade e assuidade em paises como Luxemburgo, Suiça e França. O gestor português está no seu mais criativo quando as coisas correm mal, quando surge a crise. A sua notável à vontade nos relacionamentos interpessoais é uma forte vantagem competitiva no novo mundo onde inteligência emocional conta mais do que QI. Por cima e não devia se esquecer a importância deste facto é um pais onde nos estrangeiros, adoramos viver, não só pelo lindo ceu azul mas pelo calor humano, por sermos tão bem vindos e pela relativa segurança para nós e os nosso filhos.

O grande crítico que eu e muitos estrangeiros temos, e que acho estar atrás dos tristes resultados de estudos como o nosso sobre Portugal, é a cultura de não tomar responsabilidade pelas acções. O compromisso é sempre sujeito às desculpas após o facto, a culpa é sempre dos outros nunca é assumida pela pessoa que fez o compromisso.

Esta cultura não se muda num dia. Tem que começar com o comportamento pessoal de cada indivíduo, com os pormenores pequenos - chegar a horas, cumprir deadlines, fazer o que prometemos. Porque, ao cumprir os pequenos compromissos cria-se confiança mútua e um espirito de equipa, uma cultura de profissionalismo para as coisas grandes e, afinal, a fidelização dos clientes a chave para competitividade sustentável. Mas cada gestor, cada indivíduo, tem que fazer a sua própria escolha desta mudança. O futuro começa agora, não para a semana e não há desculpas.